Barra

Cadela de alerta médico detecta crises de diabetes e muda a vida de brasileira

Reconhecer mudanças químicas liberadas pelo corpo antes de uma crise de diabetes é o trabalho de alguns cães treinados pelo adestrador Glauco Lima no Brasil. Chamados de cães de alerta médico, esses animais salvam a vida de seus tutores todos os dias. É o caso de Mariana Ruic, 42 anos, que convive desde a infância com o Diabetes Tipo 1 e, posteriormente, foi diagnosticada com a Síndrome de Wolfram, condição rara que afeta a visão, o equilíbrio e outras funções neurológicas.
A publicitária teve sua vida mudada com a chegada de Granola, uma Golden Retriever de pouco mais de um ano, treinada para detectar alterações perigosas na glicemia da dona. “Ela salva minha vida todos os dias e mudou nossa rotina em casa e fora dela. É impressionante como a cadela detecta os sinais do corpo de Mariana antes mesmo que qualquer sensor eletrônico avise.
“Uma patada no joelho indica hipoglicemia; no pé, hiperglicemia. À noite, quando o risco é ainda maior, esse aviso precoce pode ser decisivo e essa é uma segurança e um conforto que eu nunca tinha tido antes na vida”, relata Mariana. Além do monitoramento glicêmico, a cadela auxilia a tutora em momentos de baixa visão e instabilidade, oferecendo apoio físico e emocional. “Ela é uma companhia essencial e fiel, presente em todos os momentos do dia”, afirma.
O responsável por esse treinamento altamente especializado é o adestrador que tem mais de 30 anos de experiência com cães no mundo. “A decisão de aprofundar esse tipo de trabalho surgiu de uma motivação pessoal: acompanhar de perto as dificuldades enfrentadas pela minha mãe, também diabética. Não é só treinamento. É responsabilidade, confiança e conexão. O cão entende que aquela pessoa depende dele”, explica Glauco Lima.
Outro personagem essencial nessa história é Marcos Nishikawa, criador brasileiro de Golden Retrievers e Golden Doodle, raças muito utilizadas nos Estados Unidos como cães de serviço. O fundador do Golden Trip Kennel, um dos canis mais tradicionais e respeitados do país na criação da raça acumula mais de 30 anos de experiência em cinofilia, o estudo e a prática do amor, cuidado e aperfeiçoamento de cães de raça pura. “Meu trabalho promove a criação responsável, a genética, os padrões raciais e o bem-estar animal, com certificações nacionais e internacionais porque lidamos com vidas que salvam vidas”, pontua.
Nishikawa convive com cães desde a infância e dedica sua trajetória à reprodução responsável de Goldens, com um canil, sediado em São Paulo, com campeões e títulos conquistados no Brasil e no exterior. Para ele, histórias como a de Granola mostram o potencial da raça para além da companhia. “São cães extremamente sensíveis, inteligentes e preparados para trabalhar em prol do ser humano, aliás, esse é o futuro da relação homem e cachorro: uma conexão muito maior do que afeto, que engloba além da saúde mental, a física também através do trabalho de alerta médico”, finaliza.