
Cláudio Lasso, sócio da Trivium, acompanha de perto a evolução da Inteligência Artificial aplicada à contabilidade e à gestão empresarial. Diferente do que muitos imaginam, a IA não chegou para substituir pessoas, mas para eliminar desperdício operacional. E isso muda diretamente a forma como o empresário deve enxergar a contabilidade.
Por muitos anos, a contabilidade foi associada a processos repetitivos, lentos e reativos. Escrituração, conferência, lançamentos e conciliações consumiam tempo e energia, tanto do contador quanto do empresário. A automação rompe esse ciclo ao assumir essas tarefas com mais precisão e velocidade.
Na prática, sistemas baseados em IA já executam atividades que antes exigiam equipes inteiras. Leitura automática de documentos, cruzamento de dados fiscais, conciliações bancárias e alertas de inconsistência reduziram erros e retrabalho. O impacto imediato é eficiência operacional.
Mas o verdadeiro ganho não está apenas na execução. Está no tempo liberado para análise.
Quando a rotina operacional é automatizada, o contador deixa de atuar como registrador de fatos passados e passa a ser um leitor de cenário. Isso abre espaço para discutir margem, custo, fluxo de caixa, riscos e planejamento. A contabilidade deixa de ser obrigação e passa a ser ferramenta de decisão.
Do ponto de vista do empresário brasileiro, isso exige uma mudança de postura. Não faz mais sentido contratar contabilidade apenas pelo preço ou pela entrega de guias. Empresas que querem crescer precisam de informação clara, tempestiva e interpretada. A IA viabiliza isso, mas só gera valor quando há alguém capaz de traduzir dados em estratégia.
Outro ponto importante é a qualidade da informação. Processos automatizados reduzem falhas humanas e atrasos, o que aumenta a confiabilidade dos números. Em um ambiente de juros altos, crédito caro e margens pressionadas, decidir com base em dados imprecisos custa caro.
Minha dica para o empresário é simples: use a automação como meio, não como fim. Invista em tecnologia, mas exija do seu contador leitura crítica, visão de negócio e capacidade de orientar decisões. A tecnologia organiza. A estratégia continua sendo humana.
A IA não elimina o contador. Ela elimina a contabilidade limitada à execução. Empresas que entendem isso ganham velocidade, clareza e vantagem competitiva. As que ignoram continuam olhando para o retrovisor.
O futuro da contabilidade já começou. Cabe ao empresário decidir se quer apenas cumprir obrigação ou usar informação para crescer.